Quadrilha usa nome de banco público, falsifica contratos e aplica estelionato em série contra empresários
Publicado em 18/12/2025 às 10h07

Uma quadrilha especializada em fraudes financeiras está sendo investigada pela polícia por aplicar golpes oferecendo supostas operações de crédito do BNDES que não existem. O esquema, que já fez diversas vítimas, envolve falsificação de documentos, uso indevido do nome de uma instituição pública federal e cobrança ilegal de valores antecipados. Vamos publicar diversas matérias sobre o tema, sendo esse apenas o primeiro capítulo. Vários membros da quadrilha, alguns com papel central no golpe e outros auxiliares que ajudaram a atrair vítimas para que pagassem antecipadamente valores que garantiram vida nababesca aos meliantes com compra de imóveis e carros de luxo.
Segundo autoridades, o caso configura crime continuado e pode resultar em penas que, somadas, ultrapassam 20 anos de prisão, dependendo do enquadramento individual de cada envolvido.
Modus operandi: fraude estruturada
A investigação aponta que os criminosos atuam de forma organizada. O primeiro contato ocorre através de pessoas encarregadas de angariar clientes, empresários que necessitam de recursos para ampliar suas atividades sejam elas no comercio na indústria ou mesmo no agronegócio. A promessa de crédito fácil, juros abaixo do mercado e liberação acelerada tornam-se atraentes as desavisadas vítimas. Para convencer as vítimas, a quadrilha apresenta contratos falsos, com logotipos do BNDES e linguagem técnica simulando legalidade.
Após os primeiros contatos, firmam contratos de assessoria na elaboração e formatação das supostas operações que jamais irão se concretizar, os golpistas exigem o pagamento antecipado de “taxas administrativas”, “custos operacionais” ou “seguros obrigatórios”. O dinheiro é transferido e, na sequência passam a enrolar os interessados de que a coisa está prestes a acontecer, e não em poucas ocasiões, pedem mais dinheiro para ‘molhar’ a mão de pessoas na instituição para agilizar o andamento da operação, o que é mentira. Mas o pior, que muitas vezes graças a ‘boa lábia’ dos golpistas, não raro, utilizando dos serviços de pessoas que se juntam a quadrilha devidamente remuneradas, e, aproveitando do relacionamento pessoal com tais clientes, ajudam a ‘dourar a pílula’ e acabam ajudando a convencer as vítimas de que tudo está certo e assim facilitam as ações dos integrantes da quadrilha.
“Não existe taxa antecipada em operações do BNDES. A simples cobrança já caracteriza fraude”, afirma um delegado da Polícia Civil responsável pela investigação.
Prejuízo alto e vítimas em série
Empresários relatam prejuízos vultuosos nas tais taxas antecipadas. Em muitos casos, os recursos pretendidos seriam destinados a capital de giro ou recuperação financeira.
“Eles sabiam exatamente como pressionar. Diziam que a liberação dependia do pagamento imediato. Depois disso, passavam a produzir desculpas para o atraso na liberação”, relata uma das vítimas.
Enquadramento jurídico: quais crimes estão em apuração
Especialistas e autoridades confirmam que a conduta da quadrilha se enquadra em diversos dispositivos legais:
- Estelionato – Art. 171 do Código Penal
Obter vantagem ilícita mediante fraude.
Pena: reclusão de 1 a 5 anos e multa. - Falsidade ideológica – Art. 299 do Código Penal
Inserção de informações falsas em contratos e documentos.
Pena: reclusão de 1 a 5 anos. - Uso indevido de marca e símbolo público – Art. 296 do Código Penal
Falsificação ou uso indevido de selo, símbolo ou identificação de órgão público.
Pena: reclusão de 2 a 6 anos e multa. - Organização criminosa – Lei nº 12.850/2013
Atuação estruturada, com divisão de tarefas e repetição de crimes.
Pena: reclusão de 3 a 8 anos, além de agravantes. - Lavagem de dinheiro – Lei nº 9.613/1998 (em apuração)
Ocultação e dissimulação da origem dos valores obtidos.
Pena: reclusão de 3 a 10 anos.
“Há indícios claros de organização criminosa e crimes conexos. Não é um golpe isolado”, afirma um advogado criminalista ouvido pela reportagem.
Empresas de fachada e possível crime federal
A apuração indica que os suspeitos utilizam empresas recém-criadas, CNPJs de fachada e contas bancárias temporárias para receber os valores. Há indícios de atuação interestadual, o que pode levar o caso à Justiça Federal, por envolver o uso indevido do nome de um banco público federal.
BNDES: “É fraude”
Em nota, o BNDES informou que não autoriza intermediários informais, não cobra taxas antecipadas e não realiza operações diretas fora dos bancos credenciados. Qualquer oferta nesse sentido deve ser considerada golpe.
Caso de polícia
Delegacias especializadas em crimes financeiros já instauraram inquéritos. A polícia orienta vítimas a registrar boletim de ocorrência imediatamente.
“Isso não é erro comercial nem promessa frustrada. É crime. E será tratado como tal”, reforça um investigador.
COMO NÃO CAIR NO GOLPE
- Desconfie de crédito fácil e liberação imediata
- Nunca pague taxas antecipadas
- Confirme operações apenas em bancos credenciados
- Denuncie à polícia e ao Ministério Público
Nomes de todos os envolvidos
Nossa reportagem foi a fundo e acessou mais de 10.000 páginas de dezenas de ações que tramitam em diversas comarcas de Maringá onde está sediada a POWER MIX PLANEJAMENTO E GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA, que tem entre seus sócios aqueles que seriam os mentores e chefes da quadrilha, Aldemar Hey e Patrícia Cher de Lima, representada na sociedade por sua filha Stheffany Cher Lima. Outro nome presente na maioria das ações que buscam a devolução dos recursos pagos antecipadamente, é Julio Bottos. Mas podemos afirmar com absoluta certeza de que outros nomes de envolvidos já estão surgindo conforme as investigações avançam, e em uma ata notarial feita por uma das vítimas com quase 80 páginas com transcrições de mensagens via whatzapp, uma tal de Aline que segundo apuramos reside em Foz do Iguaçu, cita ao seu interlocutor, que conhecido nome de Cascavel e com atuação em Curitiba, teria o sido o responsável por atrair boa parte dos empresários que caíram no golpe.
QUEM É QUEM NA QUADRILHA?
Aldemar Hey
A biografia de Aldemar Hey, um dos líderes da quadrilha que aplicou o golpe das falsas operações do BNDES leva muitos a não entender como ele foi se envolver em um emaranhado de falcatruas. Com 35 anos de atuação inrepreensivel no mercado financeiro tendo uma carreira de sucesso, trabalhando por 15 anos no Banco Santander de onde só saiu por se aposentar. Assumiu cargo de diretoria na conceituada Balfar, com sede em Maringa, de onde saiu para juntar-se a Patrícia essa sim, uma estelionatária com uma ficha extensa de golpes. Foi a credibilidade de Aldemar que deu o verniz que a quadrilha precisava para atrair empresários desavisados e convence-los a aderir e pagar altos valores antecipados.
Patrícia Cher de Lima ou Patrícia Borges Cher?
Basta dar um ‘google’ com um dos dois nomes utilizados pela meliante Patrícia, que o internauta vai encontrar quase meia centena de processos e até mesmo uma prisão em 2020, quase todos por estelionato e uma boa parte de cobranças.Ela é acusada de dar golpes até em pessoas idosas com promessa de facilitação em processos de aposentadoria, mediante pagamento de taxas antecipadas é claro. Ela se apresentava como graduada funcionária do INSS como fez no golpe que estamos tratando nesta matéria, onde se dizia ser auditora do BNDES. Ou seja, uma estelionatária profissional. Mas sem qualquer dúvida, o golpe das falsas operações do BNDES foi o mais ousado e também o mais lucrativo em sua carreira de trambiqueira.
Stheffany Cher Lima.
Stheffany é filha de Patrícia e usada por ela como ‘laranja’ para desviar patrimônio adquirido com o dinheiro surrupiado dos empresários que caíram no golpe. O que não se sabe ainda é se ela foi cumplice ou inocente útil.
Julio Bottos
Júlio é outro caso inexplicável, pois a exemplo de Aldemar, tinha uma carreira respeitável no setor financeiro tendo sido gerente de diversas istituições bancárias. Ao se afastar dos bancos passou graças a sua credibilidade conquistada ao longo dos anos, a representar importantes fundos de investimentos, alguns inclusive, de caráter internacional. Também foi professor universitário de economia. Ele era o responsável técnico nas empresas de Aldemar em sociedade com Stheffany. Torrou sua reputação por seu envolvimento nessa falcatrua envolvendo o nome do BNDES.
Ganância
O envolvimento destes elementos, parece ter sido movido por algo comum entre eles: ganância e vontade de obter ganhos fáceis mesmo que ao custo de muito suor e sofrimento de empresários bem intencionados mas desavisados que tornaram-se presas fáceis da quadrilha.
Nos próximos capítulos vamos revelar reuniões ocorridas em Chapecó, no Estado de Santa Catarina, onde em um único dia mais de uma dezena de empresários sérios em busca de recursos para alavancar seus negócios, foram recebidos em um hotel da cidade, convidados por pessoas até então tidas como sérias, uma delas destacada liderança de um respeitado clube de serviço, e que já atuava no mercado financeiro, tudo que a quadriha de Aldemar e Patrícia precisavam para turbinar seus golpes: usar gente até então de confiança dos empresários para dar ares de seriedade ao que estava sendo ofertado: dinheiro público em abundância, sem precisar qualquer garantia e com juros de menos de 2% ao ano. Trocado a miúdos: terreno na lua.
Esses nomes que viabiizaram a tal reunião em Chapecó e que estarão no próximo capítulo do assunto que está sendo tratado por nós jornalisticamente, deixam uma grande dúvida, se sabiam que era golpe e colaboraram para sua aplicação a empresários incautos, ou, pelo menos no começo, entraram como inocentes úteis? Sim, no começo pois com o passar do tempo teriam que ser muito idiotas para continuar acreditando que a coisa era séria. Somados todos os contratos só envolvendo a ‘turma de Chapecó’ era quase R$ 1 bilhão e meio de reais. Isso mesmo! Já que era para sonhar, resooveram sonhar alto. Com comissões que variavam, segundo os contratos a que tivemos acesso, entre 1,5% a 3,5%. Estamos falando de um prêmio de loteria acumulado: R$ 50 milhões de reais.
Não deixaremos pedra sobre pedra com relação ao assunto e todos os envolvidos terão seus nomes tornados público para que desavisados não sejam mais enganados por estes meliantes.
Sérgio Ricardo/Da Redação