Delegacia de Combate a fraudes de Maringá investiga organização criminosa especializada em estelionato e falsificação de documentos
Publicado em 06/01/2026 às 11h10

O que começa como uma promessa de crédito barato termina em prejuízo, silêncio e boletim de ocorrência. Uma quadrilha especializada em crimes financeiros está utilizando ilegalmente o nome do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para aplicar golpes em empresários, produtores rurais e comerciantes, em um esquema que já movimentou milhões de reais, segundo estimativas de investigadores.
A fraude, cada vez mais sofisticada, deixou de ser um simples estelionato e passou a apresentar características de organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas, empresas de fachada e uso de documentos falsos.
“Não é golpe isolado, é crime organizado”, diz delegado Um delegado que atua em investigações de crimes financeiros, e que falou à reportagem sob condição de anonimato, confirmou que os casos envolvendo o falso BNDES estão no radar das forças policiais.
“Não estamos falando de um golpe simples. Há indícios claros de organização criminosa, com pessoas responsáveis pela captação das vítimas, outras pela falsificação de documentos e outras pela movimentação e ocultação do dinheiro”, afirmou.
Segundo ele, o uso do nome de uma instituição federal como o BNDES não é acidental, mas parte da estratégia para conferir credibilidade ao golpe.
“Eles exploram a confiança que o empresário deposita no BNDES. O nome abre portas, desarma a desconfiança e faz a vítima acreditar que está diante de algo oficial”, explicou.
“Falsas linhas de crédito, contratos forjados e cobrança de taxas antecipadas fazem parte de esquema criminoso que se espalha pelo país”
Roteiro do crime é sempre o mesmo
As investigações mostram que o golpe segue um padrão repetido:
- Abordagem por WhatsApp, telefone ou e-mail
- Golpista se apresenta como “consultor” ou “representante credenciado do BNDES”
- Oferta de financiamento com juros abaixo do mercado
- Promessa de liberação rápida, sem burocracia
- Exigência de pagamento de taxas antecipadas
Após os depósitos, o suposto consultor passa a pedir novos valores ou simplesmente desaparece.
“Quando a vítima percebe que caiu em um golpe, o dinheiro já foi pulverizado em várias contas, muitas vezes em nome de laranjas”, relata o delegado.
Uso de documentos falsos e empresas de fachada
Os criminosos utilizam:
- Contratos com timbre e logotipo do BNDES
- Numeração de processos inexistentes
- Assinaturas falsas
- CNPJs ativos, mas sem qualquer vínculo com o banco
Em alguns casos, chegam a montar escritórios improvisados, com placas e atendentes, para dar aparência de legalidade.
“É um teatro bem montado. A vítima entra em um ambiente que parece profissional e acredita estar em uma negociação legítima”, afirmou o investigador.
Enquadramento criminal é pesado O delegado ouvido pela reportagem explicou que os envolvidos podem responder por vários crimes, com penas que somadas ultrapassam dez anos de prisão:
- Estelionato (art. 171 do Código Penal)
- Falsidade ideológica (art. 299)
- Uso de documento falso (art. 304)
- Associação criminosa (art. 288)
Dependendo do caso, a investigação pode ser remetida à Polícia Federal, já que envolve o uso indevido do nome de uma instituição financeira pública federal.
BNDES não cobra taxas e não atua por intermediários
O BNDES reforça que:
- Não libera crédito diretamente ao público
- Não possui “consultores independentes”
- Não cobra taxas antecipadas
- Opera apenas por meio de bancos credenciados
Qualquer pedido de pagamento para “liberação” de recursos é indício claro de golpe.
Vítimas têm vergonha e isso ajuda o crime Segundo a polícia, muitos empresários demoram a denunciar por vergonha ou medo de exposição.
“O silêncio das vítimas favorece a quadrilha. Quanto mais rápido a denúncia, maior a chance de rastrear o dinheiro”, alertou o delegado.
Orientação policial
Quem suspeitar ou for vítima deve:
- Registrar boletim de ocorrência imediatamente
- Guardar comprovantes de pagamento
- Salvar conversas, contratos e e-mails
- Procurar a polícia especializada
“É um crime grave, recorrente e em expansão. Não é erro empresarial, é golpe”, concluiu o delegado.
Nossa reportagem foi a fundo e acessou mais de 10.000 páginas de dezenas de ações que tramitam em diversas comarcas de Maringá onde está sediada a POWER MIX PLANEJAMENTO E GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA, que tem entre seus sócios aqueles que seriam os mentores e chefes da quadrilha, Aldemar Hey e Patrícia Cher de Lima, representada na sociedade por sua filha Stheffany Cher Lima. Outro nome presente na maioria das ações que buscam a devolução dos recursos pagos antecipadamente, é Julio Bottos. Mas podemos afirmar com absoluta certeza de que outros nomes de envolvidos já estão surgindo conforme as investigações avançam, e em uma ata notarial feita por uma das vítimas com quase 80 páginas com transcrições de mensagens via whatzapp, uma tal de Aline que segundo apuramos reside em Foz do Iguaçu, cita ao seu interlocutor, que conhecido nome de Cascavel e com atuação em Curitiba, teria o sido o responsável por atrair boa parte dos empresários que caíram no golpe.
Chapecó, um capítulo a parte Em nosso trabalho investigativo chegamos a um capítulo interessante nesta série de golpes e conseguimos entender a razão pela qual boa parte dos empresários que viraram vítima da quadriha tem como sede de suas empresas a cidade de Chapecó ou municípios próximos a ela.
Num determinado dia um grupo de pelo menos 15 empresários foram convidados para uma reunião com uma auditora do BNDES, e que na verdade, trata-se de uma das maiores estelionatárias do Brasil e que já esteve até presa pelo artigo 171: Patrícia Cher de Lima que nunca sequer passou na frente do RH do BNDES. Reunidos os empresários que foram convidados por uma pessoa até então bem conceituada na cidade e até membro de respeitado clube de serviço, e que, por atuar no mercado financeiro sempre com lisura e seriedade, não teve dificuldades em reunir alguns peso pesados da indústria do comércio e de prestadores de serviços, interessados em uma oferta de dinheiro do BNDES que pelo juro oferecido, era um verdadeiro ‘terreno no céu’. A tal pessoa é Darci Luis Campo membro do Rotary Club de Chapecó-Centro, e pelo que apuramos, até então foi um inocente pois não imaginava tratar-se de um golpe, pois pelos depoimentos que ouvimos a respeito dele, tudo indica que a quadriha se aproveitou de sua credibilidade para atrair as vítimas.
Made in São Paulo Patrícia Cher de Lima chegou a Chapecó acompanhada de um jornalista que era conhecido de Darci e que se apresentava também como consultor de empresas, ligado ao agronegócio ocupando até mesmo uma assessoria na Associação Paranaense de Suinocultores, e que também se dizia advogado o que mais tarde constatou-se que não era verdade, mas o mesmo fazia questão de se apresentar como Dr Cesar da Luz. Cesar foi o encarregado de levar a tal ‘auditora do BNDES’ para apresentar o plano de captação de recursos junto ao BNDES. Também pelo que apuramos, até aquele momento o referido jornalista (unica função verdadeira dele) podia não saber que tratava-se de um golpe. No minímo um primor de ingenuidade e pelo jeito não se preocupou sequer em apurar o currículo de sua amiga Patrícia, pois bastava dar um google para ver a extensa ficha policial da dita cuja.
Mas na sequência, baseado em um aúdio a que tivemos acesso, gravado no escritório de Ademar em Maringá, por um empresário que foi vítima e que pagou algo em torno de meio milhão de reais adiantado aos meliantes, Cesar da Luz pela desenvoltura na conversa, ou continuava sendo ingenuo e acreditando em papai noel mesmo passados quase três anos de enrolação, ou foi cooptado por Patrícia de quem se tornou grande amigo.
Desta reunião em Chapecó, classificada por uma das vítimas ouvidas por nós, como uma verdadeira loucura com um entra e sai de uma sala de reuniões em conhecido hotel da cidade, onde de meia em meia hora um empresário se reunia com Patrícia, Cesar e Darci para ouvir a promessa mirabolante de obter dinheiro quase de graça junto ao BNDES. Para se ter ideia do que aconteceu ali, um empresário nos disse que entrou para pedir R$ 50 milhões mas fora convencido pela Patrícia que sua capacidade era para buscar R$ 300 milhões tamanha insanidade com que era tratado o assunto.
Lembre-se que outros membros da quadrilha, no caso Aldemar Hey e Julio Bottos.não estavam em Chapecó, o primeiro encontrava-se em Maringá e o segundo em Cascavel
Duas empresas dentre as que estiveram na movimentada reunião em um hotel de Chapecó, estão hoje representadas por Cesar da Luz (que não é DR) em uma ação impetrada pela empresa do citado jornalista, Grupo Agro 10 Negócios & Desenvolvimento Ltda, cujo advogado é Dr Marcelo Maitan Rodrigues – OAB/PR 97.510, sendo elas a Distribuidora de Materiais Elétricos J.da LUZ e San Martin Emprerrendimentos Imobiliários cada uma pleiteando receber de volta R$ 250.000,00 quantia paga a quadriha como taxa de adesão ao plano proposto e pela estruturação de cada operação, todas na casa dos milhões. Já que era para mentir porque economizar valores?
No próximo capítulo traremos depoimentos de vítimas e como esquema funcionava em amplo relato feito por Ademar Hey numa espécie de delação para tentar tirar o corpo fora e deixar o BO só coma Patrícia Cher de Lima, versão não ‘comprada’ pelo delegado encarregado do inquérito e que já ouviu dezenas de vítimas e está próximo da fase de indiciamentos.
Sérgio Ricardo/Da Redação