Em uma medida inédita,O advogado Jeffrey Chiquini impetrou um mandado de segurança pedindo a redistribuição do inquérito que investiga a suposta “trama golpista” de 8 de janeiro de 2023
Publicado e atualizado em 12.06.2025 às 21h40

O advogado Jeffrey Chiquini, conhecido por sua atuação em casos sensíveis envolvendo conservadores e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, lançou uma ofensiva jurídica ousada contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma medida inédita, Chiquini impetrou um mandado de segurança pedindo a redistribuição do inquérito que investiga a suposta “trama golpista” de 8 de janeiro de 2023 — até então sob relatoria de Moraes — para o ministro André Mendonça.
A petição, protocolada diretamente no STF, sustenta que Moraes atua com parcialidade no caso, e que sua permanência à frente da relatoria compromete o devido processo legal e o princípio do juiz natural. O advogado argumenta que o caso tem sido conduzido com viés político, perseguições arbitrárias e ausência de garantias fundamentais aos investigados.
Em uma postagem publicada em suas redes sociais, Chiquini classificou o momento como decisivo. “Acabamos de impetrar um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal pedindo a redistribuição do inquérito da trama golpista. Estamos buscando a mudança da relatoria de Alexandre de Moraes para o ministro André Mendonça. Peço orações! Esta pode ser a virada de chave que o Brasil precisa”, escreveu.
A escolha de Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao STF, não é aleatória. Para setores conservadores, sua relatoria representaria um julgamento mais técnico, menos contaminado por motivações políticas — ao contrário do que afirmam observar nas decisões recorrentes de Moraes, especialmente no âmbito das investigações sobre o 8 de janeiro.
A ofensiva de Chiquini ocorre em meio a crescentes tensões institucionais entre setores da direita e o Supremo. Moraes se tornou o principal alvo de críticas da oposição bolsonarista, acusado de extrapolar limites constitucionais e centralizar poder na condução dos inquéritos envolvendo parlamentares, civis e militares.
Até o momento, o STF ainda não se manifestou oficialmente sobre o mandado de segurança. Especialistas jurídicos consideram baixa a chance de sucesso da petição, dado o histórico de autovalidação das decisões internas da Corte. No entanto, o gesto de Chiquini não passa despercebido no campo político e midiático.
Nos bastidores, a ação é vista como um movimento estratégico para provocar desgaste institucional e reacender o debate sobre os limites da atuação de Moraes, considerado por muitos como o verdadeiro “xerife” do Judiciário brasileiro. Para os apoiadores de Bolsonaro, o ato é uma tentativa legítima de buscar equilíbrio e isenção em um processo que já condenou, prendeu e calou dezenas de opositores.
Com informções do Hora Brasília/Hugo Alves