Os dois lados de uma mesma moeda. Nossa reportagem foi à campo para elucidar todos os meandros do caso Copacol/Cerealista Fruet/Grupo Balanças Capital. Este é apenas o primeiro capítulo
Publicado em 06/11/2025 às 18h42

A Cerealista Fruet, empresa tradicional no setor de cereais e insumos agrícolas do Oeste do Paraná, por três décadas atuou no mercado, consolidando sua reputação entre produtores rurais pela confiabilidade na compra e comercialização de grãos, além de parcerias duradouras com cooperativas e fornecedores.
Ao longo dos anos, a Fruet avançou em modernização de processos, ampliando sua capacidade de armazenamento, investindo em tecnologia de controle de qualidade e qualificando suas equipes. Esses movimentos formaram um compromisso com eficiência, segurança e transparência em todas as etapas da cadeia produtiva.
Produtores sempre destacaram que a Fruet mantinha um relacionamento próximo com o agricultor, oferecendo suporte técnico, condições competitivas e previsibilidade nas operações — fatores essenciais para quem depende de logística ágil e contratos confiáveis. Outro ponto valorizado no mercado é o histórico de seriedade da empresa, construída ao longo de anos de trabalho no setor, pois essa sempre foi a determinação de seu fundador e proprietário, Celso Fruet. A empresa sempre foi reconhecida pela regularidade nas operações e pela capacidade de adaptação diante das oscilações do mercado de grãos, mantendo compromisso com parceiros mesmo em cenários desafiadores.
Mercado volátil Mesmo com toda essa tradição e presença consolidada no agronegócio regional, a Cerealista Fruet, assim como muitas empresas do setor, sentiu os impactos da forte oscilação do mercado de grãos nos últimos anos. A volatilidade de preços, a concorrência acirrada e os desafios logísticos afetaram a previsibilidade das operações, pressionando margens e exigindo ajustes internos. Ainda assim, a Fruet não se negou de buscar formas estratégicas de superar esse período, apostando em modernização, revisão de processos e reforço das relações com produtores e parceiros comerciais. A empresa mantém seu compromisso histórico com responsabilidade e transparência, demonstrando resiliência em um segmento que tradicionalmente atravessa ciclos intensos de alta e baixa.
In loco Nossa reportagem foi a Campo Bonito ouvir agricultores, empresários e mesmo pessoas do público em geral, até gente que nunca tenha negociado com a Cerealista Fruet, mas que conhecem a história da empresa e de seu proprietário. Com isso conseguimos conhecer um pouco do perfil do empresário Celso Fruet, nome que ganhou destaque nos últimos dias diante de tantas notícias publicadas, depois da venda das instalações da empresa para a Copacol causando polêmica em torno do assunto.
Boa gente e de fácil relacionamento Nossa reportagem ouviu muita gente. Desde o dono de um bar onde Celso costumava frequentar quase todos os dias, donos de postos de gasolina, mercado, farmácia, ex-funcionários e principalmente agricultores que negociavam com a Cerealista Fruet por muitos anos, alguns que não tem nada a receber e outros que tem e que, devido a todo o imbróglio vivem incertezas quanto ao tempo que uma solução definitiva possa ser alcançada. Quase três dezenas de pessoas foram ouvidas na cidade e no interior da pequena cidade de Campo Bonito. Todos alertando nossa reportagem que só falariam com a garantia de não terem seus nomes citados, ninguém se negou a falar da empresa e de seu dono. “Sabe jornalista, a cidade é pequena e qualquer coisa que a gente diga pode ter quem não goste” afirma a esposa de um dos agricultores que foi cliente por vários anos da empresa do Celso Fruet. Bem falante, ela diz que o marido mesmo com comentários sobre as dificuldades da Cerealista Fruet, procurou o Celso e ofereceu soja colhido em sua lavoura. E que colocou apenas uma exigência: assim que fosse faturado, queria receber em até 5 dias. Diz a tal senhora falante: “seu Celso assinou um pequeno papel escrito por sua esposa. Alguns dias depois, fechamos a venda e 3 dias depois seu Celso mandou nos pagar. Sua assinatura estava em um papelzinho no bolso do meu esposo”
“Aqui no bar ele vinha, fazia lanche, conversava com as pessoas, muitas delas agricultores que negociavam com a empresa dele, as vezes mandava colocar na conta dele a despesa, e sempre pagou. Não nos deve nada nem aqui no nosso comércio e nem ao meu pai que tem um sitio com 7 alqueires e que vendia para ele soja e milho” afirma um jovem que atende o estabelecimento da família, mas que também pediu para não ter seu nome citado.
“Cara simples, bonachão, nunca humilhou ninguém. Boa gente. Um coração de ouro. Ajudava muita gente. É muito triste ver ele, doente, com mais de 70 anos enfrentando uma situação dessas” diz um senhor de meia idade que ouviu o relato do jovem ao repórter no bar enquanto bebia uma água mineral.
Em uma das fazendas visitadas por nossa reportagem, os proprietários fazem parte de uma família tradicional e com muitos irmãos, todos agricultores, vizinhos uns dos outros. O chefe da família estava plantando, mas a esposa conversou demoradamente com o jornalista, e afirmou que todos os irmãos juntos, são credores de um considerável valor devido pelo Fruet. Mas disse que, ao longo dos anos, negociaram com a cerealista e nunca tiveram problema para receber. E também citou o “bom coração” do ‘seu Celso’ que até Papai Noel pagava do bolso para entregar cestas básicas a famílias carentes na época de natal.
Copacol chamando agricultores Apesar de publicamente a Copacol, que comprou na ‘bacia das almas’ as instalações da Cerealista Fruet, pois apesar de uma avaliação de R$ 80 milhões, pagou a metade, ou seja, R$ 40 milhões, afirmar em nota que as dividas são da Fruet, não tendo entrado na transação, tem feitos movimentos discretos em busca de chamar os pequenos agricultores que ficaram com haveres, e propor 5 anos para pagar, desde que suas produções sejam entregues nos armazéns que eram da Fruet. Sem correção. Traduzindo: querem assumir e pagar as dividas que dizem não ser de responsabilidade da cooperativa, utilizando do soja e do milho plantados pelos próprios agricultores. Na verdade, pagar com o próprio dinheiro dos pequenos credores da Fruet. “E vão conseguir pois as pessoas não podem esperar”, diz a esposa do agricultor que estava na lavoura plantando, citando um caso que ela tem conhecimento: “eu conheço uma família que tem 1000 sacas de soja – (algo em torno de R$ 120 mil reais) – para receber. Bateram o carro da família e não conseguem nem arrumar pois estão sem dinheiro. Outra família tem 40 sacas para receber. É pouco mas precisam. Nós temos bastante à receber, mas conseguimos seguir a vida e confiar que haverá uma solução”
Sucessão Empresarial I “A aquisição das instalações da Cerealista Fruet pela Copacol abriu espaço para debates sobre eventuais efeitos jurídicos da operação. Em situações desse tipo, quando uma empresa passa a ocupar a estrutura física e a dar continuidade às atividades no mesmo segmento, especialistas apontam que pode surgir a interpretação de sucessão empresarial, dependendo das circunstâncias e da forma como a transferência patrimonial foi conduzida.
No caso específico da Copacol, a cooperativa adquiriu as instalações da Fruet, mas a caracterização ou não de sucessão depende de fatores como continuidade operacional, transferência de contratos, absorção de atividades e documentos formais que regem a operação. Por isso, alguns observadores do setor consideram que, em tese, a questão pode ser objeto de questionamento, especialmente em ambientes onde a legislação prevê responsabilidade da empresa que assume estruturas e operações anteriores.
A avaliação final, no entanto, cabe às instâncias jurídicas competentes, que analisam caso a caso com base na documentação, no tipo de operação e nas condições efetivas de continuidade empresarial.”
Sucessão Empresarial II A compra e a assunção das instalações que pertenciam à Cerealista Fruet pela Copacol movimentaram o agronegócio regional e abriram espaço para debates sobre possíveis efeitos de sucessão empresarial. Desde que assumiu o local, a cooperativa iniciou reformas, reorganização estrutural e manteve diálogo com alguns agricultores que tinham pendências com a antiga cerealista — fatores que, segundo especialistas, podem levantar questionamentos sobre continuidade operacional. A Copacol já está contratando funcionários. O tal rapaz do bar afirmou: “ontem veio aqui um jovem feliz e com crachá da Copacol no peito, dizendo que foi ‘fichado’ e que já está trabalhando, passando veneno nas instalações que eram da Fruet”. Mais uma prova de que efetivamente a cooperativa já assumiu a administração da sede que adquiriu.
Juristas explicam que indícios como uso do mesmo espaço, continuidade no mesmo segmento, aproveitamento da infraestrutura e conversas com antigos credores podem, em tese, alimentar discussões sobre sucessão. No entanto, reforçam que a caracterização não é automática e depende de análise detalhada de documentos, contratos e objetivos da operação.
A Cerealista Fruet, historicamente reconhecida pela atuação séria e pela postura de Celso Fruet em honrar compromissos com produtores, marcou presença por décadas na região. Já a Copacol amplia sua capacidade e presença estratégica ao assumir o local, impactando a dinâmica do mercado agrícola no Oeste do Paraná. É neste contexto que os agricultores que tem haveres a receber, analisam a situação. “O Fruet vai pressionar em nosso favor e a Copacol que comprou o patrimônio pela metade do preço, não vai deixar a gente desamparado, pois somos seus potenciais futuros clientes” afirma um agricultor que se diz credor de um valor nada desprezível para receber da Fruet
Agricultores esperam a volta de Celso Produtores e credores ligados à antiga operação da Cerealista Fruet relatam que aguardam o reaparecimento de Celso Fruet, considerado por eles peça fundamental para esclarecer pendências e buscar acordos diretos. Desde que ele se afastou da rotina pública, a sensação entre muitos agricultores é de incerteza e espera, já que preferem negociar com o próprio empresário, com quem mantiveram relacionamento comercial por anos.
Segundo pessoas próximas aos credores, a presença de Celso é vista como essencial para avançar em soluções, ajustar valores, esclarecer dúvidas e restabelecer um canal de diálogo. Há quem afirme que, caso ele reapareça e converse abertamente, muitos dos impasses poderiam ser conduzidos de maneira mais rápida e menos desgastante.
Entre agricultores, expressa-se com frequência a expectativa de que Celso volte a se manifestar publicamente — não apenas para explicar sua atual situação, mas também para ajudar a reorganizar o cenário que ficou após sua saída de cena. Para boa parte dos credores, a presença dele é o caminho mais direto para pacificar o ambiente e construir uma solução viável para todos os envolvidos.
Ameaças Pessoas próximas a Celso Fruet afirmam que, após receber ameaças, ele e a esposa teriam decidido se afastar temporariamente da rotina pública por precaução. Segundo essas fontes, o empresário estaria priorizando a própria segurança enquanto avalia o cenário e busca orientações sobre como proceder.
Ainda de acordo com interlocutores, a expectativa é que Celso retorne e se manifeste publicamente assim que considerar o ambiente seguro, reforçando seu histórico de transparência e diálogo com agricultores e parceiros da região. Pessoas ligadas à família tratam o caso com discrição.
Próximo capítulo Como esse assunto tem muito ainda a ser investigado por nossa reportagem, nas próximas edições estaremos veiculando mais um capítulo desta transação que promete ainda muita emoção.
O próximo tema será: ‘Caso Fruet/Copacol: Pequenos agricultores ficam sem receber, enquanto comissão de R$ 4 milhões é embolsada sem qualquer esforço’. Aguardem!
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