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Em SP, Tarcísio pressiona Motta por “anistia ampla” e ataca “tirania” de Moraes

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Por: Sérgio Ricardo

Manifestantes bolsonaristas ocupam a Av. Paulista, em SP, para pressionar o Congresso a votar a anistia aos envolvidos nos atos de 8/1

Publicado em 07.09.2025 às 19h25

Manifestantes que apoiam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendem a anistia aos envolvidos nos atos do dia 8 de janeiro de 2023 ocuparam vários quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, na tarde deste domingo (7/9), no quarto protesto bolsonarista realizado somente neste ano na capital paulista.

Com o slogan “Reaja Brasil”, esta é a primeira manifestação desde a decretação da prisão domiciliar de Bolsonaro e marca o protagonismo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na articulação política pela anistia no Congresso Nacional. Cotados para compor uma chapa presidencial, Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foram os mais aplaudidos na Paulista.

Muitos manifestantes estavam vestidos com camisas verdes e amarelas e portam bandeiras do Brasil e de também de outros países, como Estados Unidos e Israel. Faixas e cartazes também atacam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgam Bolsonaro e outros sete réus nesta semana por tentativa de golpe de Estado.

O alvo principal, como de costume, foi o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos na Corte que envolvem os bolsonaristas. Protestos pela anistia também ocorreram pela manhã em outras capitais brasileiras, como Brasília e Rio de Janeiro. Grupos de esquerda também realizaram protestos pelo país contra a anistia e em defesa da soberania nacional.

Tarcísio chama Moraes de tirano e pressiona Hugo Motta por “anistia ampla”

Em um dos discursos mais aguardados, o governador Tarcísio de Freitas criticou duramente o julgamento de Bolsonaro e de outros sete réus por tentativa de golpe no STF, pressinou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a pautar o projeto de lei de uma “anistia ampla” aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023, e disse que o único candidato da direita é Bolsonaro.

“Qual o recado que vocês querem dar para Hugo Mota hoje?”, perguntou Tarcísio ao público. “Presidente de Casa nenhum pode conter a vontade da maioria do plenário. Então, Hugo Motta, paute a anistia. Deixa a Casa decidir. Tenho certeza que ele vai fazer isso”, disse Tarcísio, que assumiu a articulação pela anistia nas últimas semanas.

No palanque, Tarcísio criticou a delação do coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordem de Bolsonaro, e, pela primeira vez, chamou o ministro Alexandre de Moraes de tirano. “Por que vocês estão gritando isso [fora, Moraes]? Talvez porque ninguém aguenta mais a tirania do ministro Moraes”.

Michelle chora e diz que Bolsonaro está “amordaçado em casa”

Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) discursou em meio a lágrimas na Avenida Paulista. Ela começou a chorar ainda durante a fala do pastor Silas Malafaia, pediu desculpas pelo choro e disse que Bolsonaro está “amordaçado dentro de casa”.

“Hoje eu choro, eu não queria estar chorando. Mas está pesado demais. Está muito pesado, é muita maldade que estão fazendo com a gente”, disse a ex-primeira-dama. “Quem era para estar aqui era o meu marido, que hoje está amordaçado dentro de casa”, acrescentou Michelle ao se desculpar pela voz embargada e a dificuldade de discursar pelo choro.

Sóstenes chama Moraes de “ditador”

Em seu discurso, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ), atacou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando o magistrado de “ditador” e cobrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar o impeachment do relator das ações contra bolsonaristas no Supremo.

“Alexandre de Moraes, vossa excelência é um ditador”, disse Sóstenes, enquanto o público gritava “fora, Moraes”. “Alexandre de Moraes, essa é a voz da Paulista: Fora, Moraes”, completou o líder do PL.

Valdemar diz que vandalismo não é golpe

O primeiro a discursar na Paulista foi o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Aos manifestantes ele afirmou que os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 foram uma “baderna generalizada” e que os envolvidos deveriam ser punidos por “vandalismo” e não por tentativa de golpe de Estado.

“Aquilo foi uma baderna generalizada e tem que ser punido esse pessoal. Ninguém concorda com vandalismo, mas isso não é golpe. O verdadeiro julgamento do golpe será nas eleições do ano que vem, quando será julgado o golpe da picanha prometida, o golpe do roubo do INSS, dos aposentados, o golpe dos 90 bilhões pagos antecipadamente de precatório”, disse Valdemar.

Segundo ele, a anistia tem que ser pautada no Congresso porque os aliados do ex-presidente já reuniram 300 assinaturas a favor do projeto. “Qualquer cidadão que vive numa democracia, tem direito a um segundo julgamento e nós não vamos abrir mão desse direito”, completou o presidente do PL.

Valdemar também voltou a dizer que, apesar da articulação do governador Tarcísio de Freitas, que o “nosso plano é Bolsonaro candidato a presidente” porque a anistia será aprovada.

Quarto ato do ano na Paulista

Este é quarto ato bolsonarista do ano na Avenida Paulista e o segundo sem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em junho, diante da ausência de seu padrinho político, Tarcísio de Freitas faltou à manifestação. Agora, o governador de São Paulo assume o protagonismo político do ato, após promessa de indulto a Bolsonaro, caso se torne presidente, e uma articulação nos bastidores pela anistia aos envolvidos na trama golpista, julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de Tarcísio, o ato organizado pelo pastor Silas Malafaia também irá contar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Tarcísio ficou responsável por convidar outros governadores de direita, como Ronaldo Caiado (União), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais. Ratinho Jr. (PSD), do Paraná, não irá à manifestação.

Em junho, o ex-presidente não pôde ir às ruas devido a medidas cautelares impostas contra ele pelo ministro Alexandre de Moraes.aparição de Bolsonaro nos atos, por meio de chamada telefônica, custou-lhe a decretação de prisão domiciliar. Enquanto isso, Tarcísio estava no Hospital Albert Einstein, na zona oeste de São Paulo, para um procedimento na tireóide. A ausência foi criticada pelo “núcleo duro” bolsonarista, incluindo Malafaia.

Nas últimas semanas, porém, Tarcísio se impôs na articulação sobre a anistia a Jair Bolsonaro. Ele se reuniu com deputados, líderes partidários e fez incursões à Brasília para mobilizar o projeto de lei.

Os movimentos do governador de São Paulo reduziram as fricções com o bolsonarismo e Tarcísio foi incentivado publicamente até pelo filho “03” do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), desafeto do govenador, cujas críticas a Tarcísio ficaram evidentes no relatório da Polícia Federal (PF) que divulgou as mensagens trocadas entre Eduardo e Jair Bolsonaro.

Com informações do portal METRÓPOLES